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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

amamentar em público


Acabei de ler esta notícia a dar conta duma iniciativa do governo inglês que, ao abrigo de um projecto piloto, vai oferecer vouchers até 200 libras a mães que deixem de alimentar os seus bebés a biberão e passem a amamentá-los em público. Sim, leram bem, não é apenas amamentar, é amamentar mas em público! É ainda citado um artigo de opinião no qual a autora, Susan Bright, ao reflectir sobre os tabus ainda existentes com o corpo das mulheres grávidas e no pós-parto, defende que a maioria das mães que amamentam não se sente confortável em expor-se publicamente e que, para ultrapassar a vergonha de amamentar em público é necessária a existência de cada vez mais fotografias de mães a fazê-lo na cultura visual popular. Desculpem, ultrapassar a vergonha? Mas o que é isto? Toda esta conversa sobre a amamentação e as teorias à volta deste assunto não me convencem. Ou melhor, não se pode padronizar um comportamento A ou B e impor às jovens mães como devem cuidar dos seus filhos. Que o leite materno traz benefícios aos recém-nascidos, parece não oferecer dúvidas (se bem que ainda não consegui perceber até onde vai esse benefício). Agora, que se queiram definir regras sobre algo exclusivamente do foro privado, que não diz respeito a mais ninguém, a não ser às mães, é para mim completamente absurdo. 
As minhas filhas, as duas já adolescentes, foram amamentadas durante 6 meses, nem sei bem porquê. Foi assim porque foi e, até à data, nenhuma delas me cobrou nada. Eu, fui amamentada durante 1 mês, até ao dia em que a minha mãe retomou a jornada diária das 8 horas de trabalho e, tal como a grande maioria dos bebés da altura, a partir dessa data passei a ser alimentada a biberão. Não me foi diagnosticado, até ver, nenhum tipo de síndrome do bebé desmamado ao mês, e a minha relação afectiva com a minha mãe não podia ser melhor. Não me recordo se alguma vez amamentei as minhas filhas em público e é até bem provável que nunca o tenha feito. Se tivesse calhado, calhava e pronto, também não teria feito disso um grande quebra-cabeças. Mas para mim, amamentar foi sempre um momento do foro íntimo e que apenas em circunstâncias de excepção, o tornaria público. Outras mães com certeza terão opiniões diferentes. Cada qual amamenta onde e como bem quer, e se o entender! Sem estigmas, vouchers ou outras discriminações..

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

o silêncio



A vida muda na casa com a saída de um filho. Suponho que numa família pequena, com um ou dois filhos, essa mudança se sinta ainda mais. No nosso caso, o facto da filha mais velha ter ido estudar para fora veio trazer, por exemplo, uma grande inquietação na gestão das roupas, acessórios e afins. Numa altura em que mãe e filhas adolescentes partilham alguns haveres femininos, não há um dia em que não dê por falta de algo: aquele casaco das andorinhas, a echarpé esverdeada, o lápis azul dos olhos, enfim... coisas que agora ora estão cá, ora estão lá, algumas certamente nem nunca mais irão regressar. Mas é ao entrar em casa, no final do dia, que vem a maior estranheza...  O silêncio! Uma casa sem barulho, nem gritos, nem insultos entre irmãs. É este silêncio súbito que ainda me anda a desconcertar. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

maria e mãe

A Maria saiu de casa e foi para a Universidade. A mãe recomeçou o trabalho e deixou de lado tantas coisas que gostaria de ter feito. A Maria foi estudar ciências, mas hoje inscreveu-se no teatro e até fez uma audição. A mãe estudou ciências e hoje ouviu nas notícias que uma outra mãe, também de 43 anos, ganhou o prémio Leya. A Maria pintou o cabelo cor de beringela. A mãe voltou a cortar o cabelo curto. A Maria diz que quer fazer uma tatuagem pequena no pulso, quase imperceptível. Há dias em que a mãe lhe apetece tatuar o braço todo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

como é que as nossas mães sobreviveram?

A mais nova acabou de chegar da escola, disse-me que ia ter com os amigos e que levava a cadela a passear, e eu perguntei instintivamente: levas o telemóvel? É que nem era preciso perguntar nada, porque os miúdos andam sempre com os gadgets atrás, telemóvel, i-pod..., mas aquilo que me importava era mesmo o telemóvel. E dei-me conta de que sou uma filho-telemóvel-addicted, dependência que deve afectar muitas mães e pais por aí. Ter os filhos contactáveis a qualquer hora, em qualquer instante, estando longe ou perto, parece que nos sossega. Ora, aquilo que me impressiona é como é que, há 25 anos, as nossas mães sobreviveram às nossas saídas e ausências sem este tranquilizante. E quando viajávamos para outros países, longe, muito longe, ficávamos fora semanas a fio, meses, e não havia telemóveis, nem internets, skypes ou facebook. Imagino a satisfação ao receber uma carta com notícias nossas a dizer que estávamos bem instalados e que nos andávamos a alimentar bem. E o conforto de ouvir a nossa voz, quando ocasionalmente ligávamos a pagar no destinatário. E fotos, só quando chegávamos e as revelávamos... Grandes, as mães que sobreviveram à década de 80!

Piccaddily Circus, Londres, Verão de 1988. Nós estamos algures por ali.

domingo, 7 de outubro de 2012

histórias da vida privada

Numa manhã de Outono, mulheres e crianças aguardam o barco no cais. As crianças brincam e riem, olham o rio e o movimento das águas. As mulheres conversam. A mãe amamenta o filho, descontraída. É a naturalidade deste gesto íntimo, numa imagem do início do século passado, que é ao mesmo tempo desconcertante e bela. 


Um cais no rio Hudson, NY, USA. 1901. Da colecção do Museum of the City of New York.

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