These days I seem to think a lot about the things that I forgot to do and all the times I had the chance to
The Royal Tenenbaums, Wes Anderson, 2001
"Uma família americana, que nunca correspondeu aos padrões da normalidade, volta a reunir-se quando o pai, Royal Tenenbaum, regressa a casa após 17 anos de ausência."
Don't look ahead, there's stormy weather
Another roadblock in our way
But if we go, we go together
Our hands are tied here if we stay
Oh, we set our dreams to carry us
And if they don't fly we will run
Now we push right past to find out
Or either win what they have lost
Oh ah, oh ah
We know now we want more
Oh ah, oh ah
A life worth fighting for
Oh ah, oh ah
We know now we want more
Oh ah, oh ah
A life worth fighting for
(...)
Afinal, parece que perdi mesmo um grande concerto! Pois é, enquanto eu enfardava hidratos de carbono ao som do Enola Gay, pai e filha divertiram-se à brava, com direito a kebab no final do espectáculo. Fiquei mesmo cheia de inveja. Não fosse a ida a Lisboa (ainda que por pouco tempo), ter estado com amigos, almoçado na Gulbenkian..., e eu afundava-me num lago de baba e ranho. Ai, como é bom às vezes sair do campo! Obrigada Marta, por nos obrigares a estes programas (e pela foto).
Enola Gay, Orchestral Manoeuvres in the Dark (OMD), 1980
Viemos a Lisboa ver os Soldiers of Jah Army, mais conhecidos por SOJA. Ou melhor eles, o pai e a filha (a mais nova), foram ver o concerto ao coliseu e eu fiquei em casa do cunhado porque só tínhamos dois bilhetes, um para a miúda e outro para quem a conseguisse encavalitar ao pescoço para tirar fotos à banda o que, obviamente e por razões médicas, foi decidido que seria um trabalho de pai. E então praqui fiquei eu, a comer frutos secos e bolachas Maria, enquanto folheava o jornal. Depois de ler as gordas e farta do endividamento externo, liguei o computador. Nos jornais on-line destaque à demissão do director da CIA por causa de um caso extra-conjugal, outra vez a dívida externa e, já sem paciência para a novela Isabel Jonet, pus-me a pesquisar SOJA no google. Afinal esta banda reggae já é antiga, o 1º álbum foi editado em 2000 e uma das músicas chama-se Nuclear Bomb, uma música anti-guerra sobre as consequências da bomba atómica usada no final da 2ª guerra mundial. Lembrei-me logo da canção dos OMD, Enola Gay, um dos maiores sucessos da música pop nos anos 80, que chegou ao 1º lugar do top em Portugal e noutros países da Europa. E aqui estou eu a ouvir repetidamente o Enola Gay dos OMD, já ouvi mais de 10 vezes e não me cansei. Que sonoridade, que ritmo, que acústica! E o clip? Desculpa lá filha, não me leves a mal, mas SOJA, não obrigada. Quando vierem cá os OMD conversamos!
Vistas bem as coisas, ser uma rapariga de 12 anos hoje é mais ou menos o mesmo que há 30 anos! É idolatrar uma banda pop (normalmente de rapazes giros), forrar os dossiers da escola e as paredes dos quartos com as fotos dos nossos ídolos, saber de cor as letras das músicas e seguir religiosamente a sua vida e todos os seus passos. Um destes dias andei a trocar cromos com a minha sobrinha que completa hoje essa belíssima idade e descobrimos que a grande diferença entre ser uma rapariga de 12 anos em 2012 e em 1982 é o acesso às novas tecnologias de informação e comunicação. Ela é uma grande fan duma boys band londrina chamada One Direction, composta por 5 rapazes (Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan e Zayn Malik) cheios de estilo. Eu adorava os também britânicos Duran Duran (Simon Le Bon, Roger Taylor, John Taylor, Nick Rhodes e Andy Taylor), grandes ícones da moda na altura.
One Direction, 2012
Duran Duran, 1982
Não há grandes diferenças, pois não?! Vejamos: em 1982 comprávamos a Bravo e a Coquete para coleccionar os posters e saber o que os nossos adorados andavam a fazer (ainda que com meses ou anos de atraso, mas isso o que importava?). Em 2012 compramos a Bravo e outras revistas para teenagers para coleccionar os posters e saber o que os nossos adorados andam a fazer. Ah, mas hoje temos a internet, há o youtube, existem milhares de páginas no facebook sobre os One Direction, onde se publica, ao minuto, o dia-a-dia dos rapazes. Se o Harry fizer uma tatuagem HOJE, eu sei que ele fez uma tatuagem HOJE. Em 1982 as músicas dos Duran Duran passavam na rádio e gravávamos cassetes, que ouvíamos até à exaustão. E com sorte, recebíamos pelo Natal ou no nosso aniversário o último LP. Socorro, ela acabou de perguntar o que é um LP!!!! Miúda, aquilo que colocamos no gira-discos e dá música!! Gira quê? Aquele coisa bué de velha que gira assim? E com o dedo faz o movimento circular repetidamente... Em 2012 não precisamos da rádio, temos a MTV e tiramos as músicas da net, que ouvimos nos nossos i-pods. Em 1982 as histórias dos rapazes da banda eram re-inventadas em cartas que enviávamos as nossas amigas. Tudo escrito em inglês! Em 2012 as fãs criam páginas do facebook (as fics) onde escrevem histórias k elas keriam k acontecessem com eles.
E é isto a essência de uma rapariga de 12 anos, hoje ou em 1982. Ser-se parva! Mas não há que ter preocupações, com o tempo passa. E vêm outras parvoíces....
Agora que o ano lectivo começou, vale a pena ver (ou rever) um filme sobre bons e maus professores e bons e maus alunos. E naquilo que uns podem transformar os outros.
Os coristas, Christophe Barratier, 2004
Em 1949, Clément Mathieu, um professor de música desempregado, aceita trabalho como supervisor num colégio interno para re-educação de menores. Apesar da sua boa vontade, o sistema repressivo aplicado por Rachlin, o actual director, impossibilita Mathieu de exercer a sua autoridade sobre os alunos mais problemáticos. A sua missão de ensinar parece condenada ao fracasso mas ao familiarizar as crianças com a magia do canto, Mathgieu vai transformar para sempre as suas vidas...